A ideia de servir o Exército começou como medo.
Mas aos 17 anos…
aquele medo virou realidade.
Quando apareceu a oportunidade de entrar para a Brigada de Infantaria Paraquedista, eu nem fazia ideia do que aquilo realmente significava.
era pesado.
Os testes já começaram violentos:
barra
subida na corda
flexão
abdominal
3.200 metros
Pressão física
Depois vieram as seleções dentro do quartel. De centenas… ficaram poucos. Ali eu comecei a perceber que aquilo não era brincadeira.
E o pior não era o físico.
Era o psicológico.
Porque eu sempre fui um moleque rebelde. Eu falava que, se alguém gritasse comigo, eu mandaria se f*der.
Só que dentro da Paraquedista…
ou você aprendia a controlar o ego,
ou o ambiente te esmagava.
Naquele ambiente, existiam apenas três respostas aceitáveis:
“Sim, senhor.”
“Não, senhor.”
“Quero ir embora.”
E foi naquele ambiente de pressão constante que alguma coisa começou a mudar dentro de mim. O moleque rebelde começou a entender:
postura
respeito
responsabilidade
controle
Não porque alguém fazia carinho.
Mas porque o ambiente te obrigava a evoluir.
A formação foi pesada:
Campo •
Privação •
Desconforto •
Cansaço extremo
Mas nada se compara ao último dia. Depois de uma semana no campo… veio o retorno para o quartel.
Dentro da viatura, todo mundo apertado. Cansado. Camuflado. Mochila pesada. E mesmo ali dentro…
continuavam os tapas,
os ponta-pés,
as chicotadas,
a pressão psicológica.
Você nem conseguia entender de onde vinha. O corpo já não tinha mais força. A mente muito menos. E várias vezes eu pensei: “onde foi que eu me meti?”
veio a ordem:
Só que alguns instrutores nem esperavam a gente descer. Já chutavam lá de cima. Empurravam. Gritavam. Muitos caíam tortos por cima da própria mochila.
veio outra ordem:
“FORMAR!”
“XERIFE!” “CANÇÃO!”
O xerife puxava a canção… e o restante respondia. Mas a vibração já estava baixa. A gente estava destruído. E os instrutores gritavam: “FALTA MUITO PRA CHEGAR NO ZERO!”
Mandavam correr de um lado para o outro. E nós… praticamente nos arrastando. Sem força. Sem energia. Sem entender como ainda estávamos de pé.
Até que veio a ordem para virar na quadra.
Quando fizemos a primeira curva…
já dava pra ver a fumaça vermelha.
E então…
viramos novamente.
E uma faixa imensa escrito:
BEM-VINDOS NOVOS
PÁRA-QUEDISTAS.
E os familiares estavam lá.
Nós, recrutas, não fazíamos ideia. Foi surpresa. Que momento…
No meio daquela multidão…
eu avistei minha mãe.
Ela segurava o tão sonhado boot marrom e gritava: “NÃO PARA, FILHO!”
E uma ex-namorada segurava a tão desejada medalha de paraquedista.
Naquele momento…
as lágrimas caíram na hora.
Não só as minhas. Todo mundo chorava.
E foi ali que aconteceu uma coisa que eu nunca vou esquecer: a energia voltou.
Como se a gente tivesse tirado força de algum lugar sobrenatural.
A vibração aumentou.
A canção ficou forte.
E nós vibramos como nunca.
Até hoje… com 40 anos… quando vejo uma foto ou falo sobre esse momento, meus olhos ainda enchem de lágrimas. Porque aquele foi o dia mais feliz da minha vida.
Foi ali que nasceu minha primeira versão forte.
E o ambiente que mais me assustava… foi o primeiro que realmente começou a me transformar.